Revista Philomatica

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terça-feira, 30 de abril de 2019

Formados e iletrados


Em busca do carro das ideias corro os olhos pelas notícias produzidas ao longo da semana. Acostumado à manipulação de periódicos antigos e recentes, noto a flagrante ruptura ocorrida com a ocorrência da internet. Refiro-me à interação responsiva do leitor. Em grandes periódicos impressos ainda resistem as seções “Painel do Leitor” ou “Carta dos leitores”, que muitos já tratam como gênero textual.
Esses leitores comentaristas e críticos maturavam suas ideias ao escrever, qual seja, supõem-se que liam os textos, senão demoradamente, mas em sua integralidade, antes de se comunicarem com os jornais. A interlocução era mais demorada, o que, acredito, impunha certo filtro aos comentários. Havia opiniões que extrapolavam a simples manifestação da concordância e ou discordância da matéria, estendiam a discussão proposta provocando uma interação que acabava por abarcar um grupo amplo de leitores e, com isso, criava-se um diálogo em que o objeto em questão era analisado em seus diferentes aspectos. Isso, em muitas das vezes, destituía a parcialidade primeira imposta à matéria.
Hoje, contudo, com a agilidade impressa aos meios de comunicação, sobretudo sites de notícias que permitem a opinião instantânea do leitor, algo mudou. Há certa impaciência na leitura de textos um pouco longos. Quando digo ‘um pouco longos’ refiro-me a textos que dobram ou triplicam a quantidade de caracteres imposta pelo Twitter, por exemplo. Nesse novo formato não se tem mais tempo para pensar sobre o que se está lendo e o resultado disso tudo é um circo de horrores que se materializa nos comentários.
A opinião dos leitores é rasteira, superficial e, não bastasse isso, vem acrescida de uma enormidade de erros gramaticais. É certo que os adeptos da Escola do Ressentimento defendem a ideia do preconceito linguístico, mas não estou falando disso, até mesmo porque, dependendo do viés, isto pode ser desmontado como um castelo de cartas. Em tempo: considero a existência do preconceito linguístico, mas é incompreensível que alunos saiam de curso universitário escrevendo como escrevem nos comentários que deixam ao final das matérias em sites de notícia. É lamentável! Mesmo o ensino superior (falo dos departamentos de letras, os outros, só Deus na causa!) passou a só instrumentalizar: lê-se para ler manuais, bulas e informativos. Se não generalizo é porque justaponho ao lado da redundante “grande maioria”, uma minoria perdida quase extraterrestre.
Ginecomastia, fotofobia, dor abdominal superior, constipação, boca seca, disgeusia, dispepsia, astenia, calafrios, fadiga, fogacho, mal-estar, pirexia icterícia, reação anafilactóide, hiperlipidemia, aumento do apetite, mialgia, tontura, parestesia, calor, formigamento, sonolência, insônia, nervosismo, epistaxe, eritema multiforme, prurido, erupção cutânea, urticária, xeroderma, hipotensão ortostática etc, são alguns dos sintomas que o leitor ou alunos sentem face a um texto que demanda algum tempo e alguma reflexão.
Nesses tempos de intensa cultura massa e pasteurização do conhecimento, em que clássicos são reduzidos a extratos e textos de duas colunas dão conta de assuntos complexos, que não pedem mais que dois minutos de leitura, é impossível não se lembrar de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury e citá-lo de memória sem aspas nem nada!
Os alunos saídos hoje da universidade, tornam-se leitores preparados para a leitura instrumentalizada de manuais, bulas e informativos, porém, ao sair, acreditem, mostram-se pouco íntimos de livros que têm textura e poros. Os poros, para Bradbury, significam qualidade e qualidade muitas vezes traduz-se por clássicos. Para quem não sabe, nos departamentos de letras há a tchurma especializada em refutar os clássicos. Ocorre que esta espécie de livro têm feições, diz Bradbury, e as feições nem sempre agradam à massa bovina e frívola que quotidianamente se movimenta como títeres e cuja preocupação é a expressão, o elogio ou a crítica que pode ferir o outro, não pela intenção, maldade, exploração ou preconceito, mas porque o discurso montado pela Escola do Ressentimento assim o quer. E voilà, continuamos todos bem informados, mas pensamos pouco, bem pouco. Afinal, a ignorância é tranquilizadora e traz a felicidade que todos procuramos.

Publicado originalmente em https://z1portal.com.br/formados-e-iletrados/

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Absurdos: da educação e d’A Cantora Careca, de Ionesco


O site do periódico a favor do partido publica hoje uma reportagem inusitada: “Famílias fazem sacrifício para filhos estudar no exterior”. O lado positivo é que os chamados intercâmbios estão mais acessíveis, não são mais só aqueles poucos eleitos que têm a oportunidade de, digamos, conscientizarem-se dos contrastes entre o que o governo nos oferece em matéria de educação, e o que está disponível nos ditos países de primeiro mundo. O lado sombrio é ver o dono de uma renomada agência promotora de intercâmbios afirmar: “É muito comum sabermos que o pai está vendendo o carro dele para pagar o intercâmbio do filho, e é muito bonito ver isso.”
!!! E continua o Sr. Garcia: Você vê que são famílias de poder econômico limitado, mas o pessoal vê como investimento. Muitas vezes o pessoal trabalha, mora com a família e vai juntando um dinheirinho, porque sabe que o idioma é mais importante na empregabilidade do que fazer um curso universitário de qualidade ruim ou fazer uma pós-graduação ou extensão universitária que não agrega nada.”
Segundo o Sr. Celso Garcia, que lucra com o desespero do alunado (não o critico, afinal, alguém sempre lucra, o governo lucra, a canalha de Brasília e do judiciário lucram!), “a questão do idioma é sempre o ponto número um”. É claro, ele precisa vender seu peixe.
Mas, consultando os meus botões, há aquele cuja sabedoria me surpreende sempre; pois bem, ele me sussurrou algumas perguntas: mas o Sr. Garcia não sabe que em seis meses, um ano, poucos, muitos poucos, tornam-se fluentes em um idioma, seja ele qual for, a ponto de isso por si só garantir a dita empregabilidade? Pois é, replico em concordância ao que ele acabara de dizer: Eu mesmo, acrescento, conheci alunos no exterior que não tinham sequer o conhecimento básico do idioma e, chegando lá, precisaram começar do bê-á-bá, repetindo “Eu me chamo... Eu sou brasileiro.” Aquiescente, ele rememora e concorda. E diga-se, acrescento, eram alunos que deixaram o Brasil em busca de um doutorado em conceituadas universidades. Voltaram prontos para o mercado de trabalho?, pergunto. Ele, escapando da casinha que o mantém fixo na camisa, olha-me de soslaio e é como tivesse lançado um sorriso irônico por entre as dobras do tecido.
O Sr. Garcia faz parte de uma engrenagem colocada em movimento há tempos pelo governo, cuja mobilidade não tem outro fim que o sucateamento da educação. Não acho bonito ter que se desfazer dos míseros bens materiais que possui para poder pagar um cursinho de língua na esperança de que isso seja garantia de bom trabalho. Bom trabalho para quem? Para os empregadores? Vejam: hoje há empresas que exigem do candidato fluência em inglês, conhecimentos de espanhol, além de todos aqueles apetrechos criados pelos especialistas em recursos humanos, enfim, tudo isso e otras cositas más em troca de um mísero contracheque, às vezes, de dois salários mínimos. Resumo da ópera: o carro vendido para o intercâmbio, nessa lógica, será readquirido décadas depois!
Deixemos o Sr. Garcia acumulando seus caraminguás com a ilusão dos tolos e vamos a um absurdo mais palatável e não tão obsceno quanto a educação brasileira; falo d’A Cantora Careca, de Ionesco.
Hoje, 26 de abril de 2018, o teatro Huchette, em Paris, celebra seu 70o aniversário com a obra de Ionesco, A Cantora Careca, que detém um recorde de longevidade nos palcos, uma vez que está em cartaz neste mesmo palco há nada menos que 61 anos.
Considerando-se a recepção da peça quando de sua estreia, isto é um grande feito, pois, à época, as críticas foram violentas. Mas falemos de Ionesco, esse gênio do teatro do absurdo: nascido na Romênia, filho de pai romeno e mãe francesa, Ionesco vive na França entre os anos de 1913 e 1925; termina seus estudos de literatura francesa na Universidade de Bucareste e torna-se professor de francês e crítico literário. Retorna a França para escrever uma tese que jamais terminará, mas o que deixou é de uma monta inigualável: A Lição, As Cadeiras, Rinoceronte, O Rei está morrendo; ou seja cerca de trinta peças teatrais, ensaios e alguns romances. E quem quer saber da tese?
A Cantora Careca, sua primeira obra teatral, Ionesco qualificou-a de “teatro de escárnio”, cujo subtítulo era “ante-peça”. A ideia lhe ocorreu depois de aprender inglês (algo de extrema importância ainda hoje, ao menos para o Sr. Garcia!) com o método Assimil: frases curtas, desarticuladas, clichês, tudo junto e misturado resultando em um diálogo muito louco. O título original Inglês sem dificuldade, foi substituído por A Cantora Careca, em razão de um deslize de um ator durante o ensaio.
Emblemática obra do teatro do absurdo, o texto foi encenado por Nicolas Bataille em 1950. Para Bataille, o ponto de partida da peça é “um casal que não tem nada a dizer um ao outro depois de vinte anos de casamento, e um outro que não se reconhece mais”. Diante disso, comentários frívolos, absurdos e incoerentes são trocados.
A primeira apresentação deu-se em uma pequena sala no Quartier-Latin, no Théâtre des Noctambules, em 11 de maio de 1950, às 18 horas. Mal recebida pelo público, as apresentações foram interrompidas logo após a estreia (25 apresentações foram canceladas).
Depois, em 16 de fevereiro de 1957, a peça volta em cartaz no Théâtre de La Huchette, em Paris, e finalmente conhece o sucesso. A Cantora Careca continua em cartaz provando entre outras coisas, que o teatro e as humanidades têm muito a dizer, e não só as “praticidades” como quer o Sr. Garcia.

sábado, 28 de outubro de 2017

Juventude sem escola

Quem já leu Machado de Assis e especulou suas opiniões sobre a crônica, conhece de cor e salteado o bordão de que o gênero é a reunião do útil e do fútil. Ora, Machado afirmava ter o folhetim (a crônica) nascido do jornal, donde a união agradável dos adjetivos supracitados. Lesse em nossos dias, o Bruxo do Cosme Velho certamente se depararia com a degenerescência da agradável futilidade.

Hoje, por exemplo, dou de olhos com as notícias mais lidas no site da autointitulada maior empresa de notícias do país: “Exausta e sem ‘perereca’: Luciana Gimenez explica 5 fotos do Instagram”, “Flávia Alessandra sobre sexo na piscina: ‘Uma delícia!’”, “Cláudia Raia lembra primeira vez com o namorado da irmã”, “Herdeiros do Maksoud Plaza brigam por causa de comida e roupa lavada’. Agora, diga-me você leitor: o fútil, o que é? Está bem, entendi! Não é preciso repetir!

O superficial, o leviano, o frívolo, a conversa de botequim... ora, isso é para encaixar uma ironia, um riso qualquer entre a empáfia da manchete da primeira página e a seriedade da notícia, não subjugá-la! Por que razão, pergunto, o leitor resolveu fazer do superficial, do pueril e sem importância o prato principal de sua refeição?

Lá embaixo, perdida no espaço antes reservado ao folhetim, eis que encontro uma noticiazinha de cara amarrada e apertada ao lado do depoimento de uma médica que largou a medicina tradicional e aderiu à ginecologia natural. Ali, encontro minha resposta sisuda. Trata-se de uma matéria sobre a evasão escolar, e, segundo tal estudo, o país, no ritmo de cágado que caminha, demoraria cerca de 200 anos para incluir os jovens no sistema educacional.

De pronto, o instituto responsável pela avaliação apresenta números, e contra números, sabemos, não há conversa: dados de 2015 (estamos em 2017!) revelam que 22% dos jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Também de acordo com os números, temos hoje (2015) cerca de 10,3 milhões de jovens nessa faixa etária. Do total, 1,5 milhão sequer se matricularam em uma escola e outros 1,9 milhão abandonaram a escola antes mesmo de completar o ano e/ou foram reprovados.

O que me consola é que 6,9 milhões frequentaram a escola por um tempo e lá aprenderam a ler algumas garatujas, razão pela qual a maior empresa de notícias do país consegue elencar diariamente as matérias de preferência de seus leitores; o que me assusta é que esses leitores preferem ler e comentar a ‘perereca’ da Luciana Gimenez e a primeira orgia da Cláudia Raia enquanto o país literalmente afunda pelo ralo.

Outro dado curioso que gostaria de comentar com você leitor é o fato de que o tal instituto aponta como a principal causa de evasão escolar o trabalho. O trabalho, sim, o trabalho surge nas entrelinhas como o vilão da história. Para isso, a jornalista exemplifica a matéria com o caso singular do jovem Jonathan, que, aos 18 anos, no segundo ano do ensino médio, descobre que a namorada está grávida e é obrigado a deixar a escola para se tornar chefe de família.

Ora, casos como esse acontece e são frequentes, mas não explicam tamanha evasão e nem se pode creditar ao trabalho a vilania da prosa. Vejam: ao pesquisar, encontrei várias outras matérias (mais atualizadas) sobre o desempregado entre os jovens entre os 14 e 24 anos (lembrem-se que trabalhar aos 14, 15 e 16 é crime perante a lei!) que trazem o índice nada louvável de 28,8%. 

Façamos as contas: 10,3 milhões de jovens x 28,7% significa que temos cerca de 3,0 milhões (2,9664 para ser mais preciso) de jovens desempregados. De modo que, considerados os 3,4 milhões de jovens evadidos das escolas, resta um saldo de 400 mil alunos prejudicados pelo malfadado hábito de trabalhar.

O estudo aponta ainda outros culpados: a infraestrutura, a carência de professores, a qualidade de ensino, o clima escolar. Dei o braço a torcer, afinal, educação só é quesito na pauta de políticos às vésperas de eleição...

Por fim, o estudo também aponta como causa de evasão escolar a baixa resiliência emocional entre os jovens. Flexionei o pescoço, olhei para baixo e entabulei um curto diálogo com meus botões: “O que acham? Lembram-se do maus bocados pelos quais passamos? Levantávamos às 5 da manhã, trabalhávamos o dia todo, estudávamos à noite; os sábados, bem, aos sábados sequer saíamos... tínhamos trabalhos a fazer. Os botões, levados por meus movimentos, desviaram-se à direita, depois à esquerda. Um deles, teso e carrancudo, sussurrou: “Acho que temos uma geração de fracotes.” Reaprumei o pescoço, ergui a cabeça e fingi não ter ouvido aquela outra sinonímia de ‘falta de resiliência’. 

Publicado originalmente em http://z1portal.com.br/category/miscellanea/

quinta-feira, 2 de junho de 2011

MEC irá apurar erros e pobremas em livros distribuído

O bolso, dizem, é a parte mais sensível do corpo, e a amizade, indestrutível ao tempo. São aforismos, clichês, mas eu, cá com meus botões, acredito piamente que um aforismo contradiz o outro. Quer ver? É só aquele seu amigo querido começar com o vezo de não mais se lembrar de pagar o dinheirinho, que na hora do aperto – dele -, você emprestou. Não há amizade que resista!
Agora uma outra situação: vá você a um café, consuma o equivalente a 10 reais, pague a dívida com uma nota de 20 reais e receba de troco 8 reais. A conta está certa? Claro que não! Prova de que o bolso é a parte mais sensível do corpo é que você, de pronto, reivindica os 2 reais que lhe são de direito. E por que para o MEC 16 menos 8 é igual a seis, 10 menos 7 é igual a 4?
Dito isto o MEC me autoriza a começar o próximo parágrafo de duas maneiras: Tem sido tão frequentes as gafes do ministério que... (ou) Tem sido tão evidente a incompetência do ministério que...
Escolha uma ou outra, leitor, e verá que no final dá – ou dará - tudo na mesma: não se achará os responsáveis, haverá meia dúzia de explicações contraditórias e tudo acabará em pizza!
Há menos de um mês o MEC foi notícia: distribuiu em 4.236 escolas do país um livrinho intitulado Por uma vida melhor que reacendeu a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso escrito e o oral. Em tempo: segundo a imprensa o livro foi idealizado pela ONG Ação Educativa que, não se esqueça, deve ser patrocinada com dinheiro do contribuinte. Lá, no livro, você encontra pérolas como: “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado.”
Você leitor, claro, já notou que há erro de concordância. Mas e daí? Você pode dizer os livro? Sim, pode! Afinal, não havia um ex-presidente que dizia que sua mãe havia nascido analfabeta? Ironias a parte, a autora do malfadado livro se explica (pág. 15): “Você pode estar se perguntando: Mas eu posso falar os livro? Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”.
Segundo o MEC o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) – normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos, e em respaldo ao livro, afirma no texto dos PCNs: “A escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ‘certa’ de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita é o espelho da fala” e complementa: “Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos”.
Ora, tudo isso é óbvio. É sabido de longa data que o discurso oral é diferente do escrito, aliás, frequenta-se a escola para descobrir, entre outras coisas, detalhes linguísticos como este que, caso passem despercebidos, podem comprometer o futuro do estudante. Vá um estudante que tenha se revoltado contra a tal mutilação cultural participar de uma entrevista de trabalho e nela empregar o discurso do MEC dizendo coisas como nóis vai, os livro, a gente somos... Sorte a dele se a entrevista for para pleitear um trabalho no MEC, pois, caso contrário, em qualquer outra empresa - séria -, se forem compreensíveis, lhe dirão que seu português é sofrível, senão, nem isso.
Qualquer cristão sabe que ao dizer “Nóis vai de ônibus” ou “Nóis é di menor” a função comunicativa também se realiza, seu interlocutor compreende não só aquilo que você quis dizer, como também fica a par de suas deficiências linguísticas.
Do outro lado do cipó está o linguista Evanildo Bechara, da ABL, que critica a intelligentzia do MEC: “Há uma confusão entre o que se espera da pesquisa de um cientista e a tarefa de um professor. Se o professor diz que o aluno pode continuar falando ‘nós vai’ porque isso não está errado, então esse é o pior tipo de pedagogia, a da mesmice cultural” e conclui: “Se um indivíduo vai para a escola, é porque busca ascensão social. E isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar”.
Afinal, o que fica é não pender para exageros, o que não quer dizer que qualquer registro linguístico pode ser usado em qualquer situação.
Essa foi a polêmica do começo de maio. Para junho, o MEC criou outra envolvendo a área das exatas - a matemática.
Ontem li que o MEC vai abrir uma auditoria para apurar os responsáveis pelos erros em 7 milhões de livros usados como material de apoio em escolas públicas por todo o país. Valor da conta? R$ 13,6 milhões pela impressão das obras, não contabilizados, claro, o valor gasto com autoria e revisão.
Espera-se que os cálculos tenham seguido a lógica apresentada nos livros, onde 16 menos 8 é igual a 6: aí o governo sai ganhando; porém, como nada é perfeito, a conta pode ter sido feita com base no cálculo de que 10 menos sete é igual a 4, neste caso, prejuízo para o governo, para o contribuinte e para o aluno em sala de aula.
Segundo a imprensa, o esmero e o cuidado é tal nos exemplares da coleção Escola Ativa (35 livros – no total, 200 mil coleções foram impressas e distribuídas) que há páginas em branco, textos sem continuidade, contas matemáticas e tabuadas erradas, além de outros problemas.
Especula-se, segundo li hoje, que haja outros envolvidos nesse imbróglio todo: Tiririca, integrante da Comissão de Educação de Cultura da câmara dos deputados está bem cotado. Há também Palocci, que pode ter sugerido como fonte um livro excepcional que possui. Nele, dizem, na página 2010, há um cálculo curioso: aplicando-se um valor x, por um período de quatro anos, pode-se multiplicar esse valor em até 20 vezes!
Dizem ainda que se trata de uma nova fórmula matemático-socialista de enriquecimento do patrimônio particular.

É..., pior que tá, fica!

Imagens: Todas disponíveis no Google-Images.