Revista Philomatica

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Guerra midiática: que falta faz Voltaire!!!


O destaque de hoje nos canais de imprensa - sites e blogs - é a guerra entre a Record e a Globo. É uma pena! Ainda que muitos torçam para que Sarney e sua tchurma já estejam a caminho do limbo, não há qualquer pista que indique a saída desses nobres senhores do Éden senatorial. 
E já que o léxico me trouxe o limbo e o Éden, e uma vez que a guerra é sobretudo terrena, vale comentar um pouco o assunto. De fato, trata-se do comentário dos comentários. A torcida é enorme e vibrante. De um lado os recordistas, de outro os globistas, neologismos para os simpatizantes que se esforçam a todo instante em se superar em seus pitacos. O blog de Lauro Jardim traz a seguinte machete: "A Record parte para a guerra contra a Globo - e não se trata de briga pela audiência". O texto traz nada menos que 704 comentários. O Portal Imprensa (UOL) também trata da guerra mediática com centenas de comentários, a maioria dos quais, nota-se, produzida por fiéis. 
Ora fiéis do bispo, ora fiéis da vênus platinada. Os ânimos, às vezes, esquentam: no Portal Imprensa, um tal Sr. Samuel, em um texto repleto de gerundismo, detona: "...cada um tem o direito de fazer o que bem entender com o seu dinheiro e seu eu quero dar na Igreja Universal eu dou e não me arrependo disso, também não importo em que está sendo usado, estou dando na obra de Deus e para a obra de Deus!" Confesso: em principio fiquei confuso em estabelecer uma relação entre a chamada obra de Deus e aqueles avantajados derrières a repetirem os movimentos de uma mola, do chão ao alto, entre chacoalhos e gemidos lascivos, olhos e bocas semiabertos numa conjunção que, ao som do funk, os fiéis, digo, a platéia missionária não vislumbra outra coisa senão culs e mais culsO Sr. Samuel disse ainda que "para quem não sabe a rede Record é uma televisão utilizada para levar o Senhor Jesus as almas que estão perdidas". 
Aí fiquei perdidaço e, como não sou expert nessas técnicas de conversão mais avançadas, prefiro me retirar. Preferi acreditar na manchete dada pelo Lauro Jardim, isto é, de que a guerra não é pela audiência. E não por outra razão, lembrei-me de meu querido Voltaire que, já no século XVIII fazia uso do bordão écrasez l'infâme, para denunciar o fanatismo e a superstição disseminados e alimentados pela Igreja, cujo objetivo não era outro senão a manipulação da massa ignorante. 
Talvez resida aí a razão da guerra que, como disse Jardim, não é definitivamente pela audiência. Manipula-se sempre. Até mesmo porque a imprensa nunca foi e nunca será transparente e imparcial. Manipula-se também com a ajuda de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo. E qual a falta de Voltaire? Com certeza, do fuzil de dois tiros do filósofo sairiam palavras sábias para ambos os lados. E como diz Dona Mariana, personagem da novelinha das seis de Benedito Rui Barbosa: Amém!

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