
A
primeira diáspora ocorreu no século VI a.C., quando Nabucodonosor II invadiu o
reino de Judá, destruiu o Templo e deportou os judeus para a Mesopotâmia.
História Antiga que, quando adolescente, estudei na escola pública – acreditem!
A segunda diáspora, que também aprendi no ginásio, ocorreu com a invasão romana
no ano 70 d.C. e, repeteco, os judeus foram novamente espalhados por todo o
planeta.
O
porquê dessa história hoje? Bem, coincidências. Voltei às releituras ao
preparar um curso sobre “História, Memória e Literatura”. Reli obras da
adolescência, li história, teoria e biografias. Também resolvi falar sobre isso
porque o Israel moderno completará 71 anos daqui a quatro dias!
Não
vou comentar sobre a Shoah, o
Holocausto - espero que ainda ensinem sobre isso nas aulas de história. Em
tempo: àqueles cujo antissemitismo jaz sob a epiderme, informo-os de que não
sou judeu, mas não teria vergonha alguma em sê-lo, sobretudo porque tenho
imensa admiração por este povo tenaz, resistente, perseverante e empreendedor.
O
IDH de Israel é considerado “muito alto” (22.o) e seu PIB nominal é
de 373,751 bilhões de dólares. A título de comparação, o Brasil tem um IDH
considerado alto (79.o) e um PIB de 2,141 trilhões de dólares.
Estamos bem, não estamos? Pois então considere a população e a área dos dois países
e verá que rolamos ladeira abaixo. Considerem ainda o fato de que nossas
crianças não foram alvos nazistas, nossos pais e mães não foram mortos aos
milhões em câmaras de gás e transformados em barras de sabão, bem, sei lá, não
sei se estamos tão bem assim. E olha que junto com esses judeus foram
destruídos centros de fé, estudo e erudição judaicos, geradores de gigantes nas
artes, ciência e literatura.
Relendo
a biografia Minha Vida, de Golda
Meir, é impossível não compactuar da amargura da autora com os dias de hoje (e
era 1975!), quando o “mundo preferiu adotar o terrorismo árabe de fascínio”.
Sob o poder de fogo árabe desde as vésperas de sua independência, Israel
conseguiu - dentre outras coisas - fazer brotar árvores no deserto, algo que
até hoje somos incapazes de tentar no semiárido brasileiro. Ao reler Exodus, de Leon Uris, um misto de ficção
e história, no volume II, Livro IV, capítulo II, o autor relaciona falas de
personalidades árabes e manchetes de jornais no dia seguinte à aprovação da
partilha da Palestina pelo Conselho das Nações Unidas. Leia, reflita sobre a
tolerância, pergunte a si mesmo quem o aliena, reveja sua cultura facebookiana e tome suas próprias
conclusões:
· Kuwalty,
Presidente da Síria: “Morreremos pela Palestina!”
· Al
Kulta, jornal do Cairo: “Quinhentos mil iraquianos se preparam para a Guerra
Santa. Cento e cinquenta mil sírios atravessarão as fronteiras da Palestina e o
poderoso Exército egípcio empurrará os judeus para o mar, se eles ousarem
declarar seu estado.”
· Jamil
Mardam, “Premier” sírio: “Parem de falar, irmãos muçulmanos. Levantem-se e deem
cabo da praga sionista.”
· Ibn
Saud, Rei da Arábia Saudita: “Somos cinquenta milhões de árabes. Que nos
importa perder dez milhões, se conseguirmos matar todos os judeus? O preço vale
a pena.”
· Seleh
Harb Pasha, Juventude Muçulmana: “Desembainhai as espadas contra os judeus!
Morte a todos! A vitória é nossa!”
· Xeque
Hassan Al Bannah: “Todos os árabes se erguerão para aniquilar os judeus! O mar
ficará juncado de seus cadáveres.”
· Akram
Yauytar, porta-voz do Mufti: “Cinquenta milhões de árabes combaterão até a
última gota de sangue.”
· Haj
Amin El Husseini, Mufti de Jerusalém: “Eu declaro Guerra Santa, irmãos
muçulmanos! Morte ao judeus! Morte a todos eles!”
· Azzam
Pasha, secretário-geral da Liga Árabe: “Esta será uma guerra de extermínio e
massacre que ficará na história, como os famosos Massacres Mongóis.”
Dito
isto, leitor, é compreensível que a esperança tenha lá seu cumprimento: “Ano
que vem, em Jerusalém!”
Publicado originalmente em https://z1portal.com.br/ano-que-vem-em-jerusalem/
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