
E os fantasmas não param por aí. Há dias, também comentou-se sobre a cerimônia saia justa, no Salão Nobre do Planalto, quando Dilma Rousseff não recebeu continências durante a solenidade de promoção de oficiais das Forças Armadas: limitaram-se ao usual aperto de mãos. Nada mais civilizado, afinal, ali, ninguém morre de amor por ninguém. Imagens para posteridade? Qual nada! Ao contrário de Ronaldinho Gaúcho, intruso na ABL, que exibiu às desbragadas a medalha Machado de Assis, Dilma Rousseff, discreta, não se deixou fotografar ao receber a Ordem da Defesa, maior comenda da área.
Na França, também os mortos vieram à vida. Em 5 de abril uma questão bastante incomum foi colocada aos deputados franceses: se concordavam, ou não, de tornar públicas as discussões à porta fechada de seus predecessores durante a guerra franco-prussiana de 1870 e às vésperas da Comuna de Paris.
A exumação desses relatórios data de 2009 e é fruto da curiosidade de um funcionário do serviço oficial da biblioteca e dos arquivos que, um dia, percorrendo entre os arquivos antigos, deu de cara com os docu

Um deles foi em agosto de 1870, quando a oposição republicana a Napoleão III pediu - sem sucesso - uma mobilização maciça dos parisienses contra os prussianos. O outro, ocorreu em 22 de março de 1871, quando alguns homens de boa vontade, capitaneados por Clemenceau, tentaram um conciliação impossível entre Paris e a Assembleia Nacional, instalada em Versailles, afim de evitar que a capital caísse nas mãos daqueles que viriam a ser conhecidos por communards.
No final da tarde do dia 5, pouco antes das cinco da tarde, por unanimidade, os deputados franceses autorizaram a publicação dos anais destas sessões realizadas à porta fechada por seus predecessores. Nos termos do artigo 51, parágrafo 3o do Regimento da Assembleia Nacional, esta votação foi a condição sine qua non – ainda que os fatos datem de 140 anos - para que a publicação dos documentos fosse possível. No total, as 723 páginas são o resultados de quatro comités secrets, tendo os três primeiros ocorrido em agosto de 1870 e o último em 22 de março de 1871.
Segundo alguns privilegiados que já os analisaram, eles contêm alguns belos trechos de eloqüência e, percebem-se, claramente as vozes de alguns jovens parlamentares que teriam futuro brilhante: Jules Ferry, Léon Gambetta e Georges Clemenceau. Durante a apresentação dos documentos, que se seguiram à votação, em um salão do Hôtel de Lassay, o presidente da Assembleia Nacional, Bernard Accoyer (UMP), informou que os textos serão publicados no próximo outono pelas Editions Perrin. Os documentos terão anotações e introdução do historiador Eric Bonhomme, especialista em Terceira República.
Como se vê, na falta de comoções públicas, um bom fantasma, se não assusta, faz passar o tempo.
Imagens: Le Siège de Paris, de Jean-Louis Ernest Meissonnier, de 1870 e cartaz do filme de Peter Watkins. Todas disponíveis no Google-Images.
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