
Com o apoio do governo russo, mais precisamente do Czar Alexandre I, Langsdorff deu início a sua expedição, em 1821. Com ele vieram pesquisadores de diversas áreas: botânicos, cartógrafos, zoólogos, etc. Fora a catalogação e anotações estritamente científicas realizadas pelos cientistas, havia o registro feito em desenhos e aquarelas realizadas por artistas como Rugendas, incumbido de retratar as paisagens, seus habitantes e seus costumes. O alemão, entretanto, se desentendeu com Langsdorff e partiu precocemente. Seu posto foi assumido por Aimé-Adrien Taunay, que se destacou pela aguda observação dos povos indígenas. Taunay, penso, também não aguentou o peculiar humor de Langsdorff e decidiu partir. Hercules Florence foi então contratado como segundo desenhista e produziu os registros de maior precisão e rigor científico.
Georg Heinrich von Langsdorff, e sua expedição, se embrenhou por 17 mil km do território nacional, quando o país ainda era praticamente uma gigantesca floresta, numa época conturbada, entre 1821 e 1829, quando D. João VI abandonou o Brasil e D. Pedro I, na condição de princípe regente, assumiu o país e proclamou a sua independência de Portugal. A exposição que conta a aventura da expedição Langsdorff é composta por 120 aquarelas e desenhos e 36 mapas que foram produzidos durante a viagem desses desbravadores que percorrem, em geral por rios, as províncias do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de São Paulo, do Mato Grosso, do
Amazonas e do Pará. No caminho, o território pouco explorado ofereceu perigos aos cerca de 40 integrantes da expedição. Taunay, filho do pintor Nicolas Antoine Taunay (da Missão Artística Francesa) e tio do influente Visconde de Taunay, em outubro de 1827, depois de se desentender com Langsdorff, deixa Cuiabá e parte rumo ao Rio Amazonas com um grupo liderado pelo botânico Ludwig Riedel. Poucos meses depois, Taunay, ansioso, tenta atravessar o Rio Guaporé sozinho, montado em um cavalo. O animal se desequilibra e cai na água. O artista é mordido por peixes e morre afogado. Nos últimos anos da expedição, o próprio Langsdorff contraiu uma doença desconhecida, que causava surtos passageiros, durante os quais ele perdia a noção de tempo e espaço. Diziam que tinha enlouquecido.
Langsdorff devia ser mesmo difícil, pois durante a viagem, quando Rugendas o deixou e retornou à Europa, levou consigo boa parte de sua produção, dizem, cerca de 500 gravuras. A outra parte do acervo da expedição foi encaminhada à Rússia, onde ficou perdida até 1930, quando foi encontrada nos porões do Museu do Jardim Botânico, em São
Petersburgo. Hoje, os trabalhos pertencem ao Arquivo da Academia de Ciências da cidade e estão expostos pela primeira vez no Brasil. Entre as 120 peças reunidas na mostra Expedição Langsdorff estão obras inéditas como as aquarelas Sagui-de-cara-branca (1823), de Rugendas, Sebastiana, Filha da Mestiça Francisca de Sales e de um Branco (1927), de Taunay, e Mulher e Criança Manduruku, de Florence. Todas destoam do registro de paisagens ou cotidiano costumeiramente feito na época, apesar de elas também fazerem parte do acervo da exposição. Langsdorff escreveu sua aventura em diários, os quais foram publicados, em três volumes, pela FIOCRUZ.

Langsdorff devia ser mesmo difícil, pois durante a viagem, quando Rugendas o deixou e retornou à Europa, levou consigo boa parte de sua produção, dizem, cerca de 500 gravuras. A outra parte do acervo da expedição foi encaminhada à Rússia, onde ficou perdida até 1930, quando foi encontrada nos porões do Museu do Jardim Botânico, em São

Embora chovesse muito, me esqueci da chuva e, por uma hora e meia, cruzei rios, cascatas, vilarejos; vi pessoas, animais, pássaros, paisagens... e não foi das alturas!
Nota: Gravuras de Aimé-Adrien Taunay, junho de 1827, Palmeiras denominadas "buritis", desenhadas em Quilombo, distrito de Chapada; de Hercule Florence, onça aos seis meses e vista de Santarém, sobre o Tapajós, tomada do lado oeste, de agosto de 1828.
Nenhum comentário:
Postar um comentário