
A essa época, a palavra cientista não existia, mas, efetivamente, Madame du Châtelet, foi uma das primeiras mulheres a manter documentação capaz de comprovar sua atividade e ser assim chamada. Isso não significa que não tenha havido, antes, mulheres com pendor para as ciências. Basta lembrar-se da trágica morte de Hipátia, na antiguidade.
Émilie du Châtelet estudou Leibniz e manteve contatos com Claurault, Maupertuis, König, Bernoulli, Euler, Réaumur e muitos outros, aos quais se pode creditar o surgimento das ciências exatas, termo ainda inexistente à época. Atuante, quando começou a tradução Principia Mathematica, de Newton, foi visitar Buffon. Conheceu Voltaire, em 1734, quando ele tinha caído em desgraça na corte e se ausentado de Paris para viver seu inferno astral em Cirey. A relação dos dois durará por quinze anos. Voltaire incentivou-a a traduzir Newton, ressaltando a importância da liberdade de pensar por si mesmo.
Ela entrou na vida de Voltaire em momento em que ele precisava de um porto seguro. A perseguição era um hábito na França desses dias. A justiça e seus ministros tinham decidido perseguir Voltaire. O arcebispo de Paris, Vintimille, "que amava apaixonadamente as mulheres e detestava os filósofos", se queixa com o responsável pela polícia de Paris de um certo Epître à Uranie, de autoria de Voltaire. Falava-se também de uma epopeia sobre a virgem d'Orléans, que era um escândalo sem igual. Voltaire foi ameaçado; se o poema viesse à tona, seria enterrado em uma mas

Foi uma longa ligação, porém, não menos tempestuosa. A agitação de Voltaire e o "temperamento de fogo" de Madame du Châtelet eram o combustível para faíscas frequentes e, quando havia hóspedes, recorriam ao inglês para se insultarem. Eram ativos e sem algum rancor. Cirey tornou-se um laboratório, um reduto da química. Voltaire e Madame du Châtelet se separavam todos os dias para fazer suas experiências ou para escrever. Eles concorrem entre si, sem que um não saiba sobre o outro, a um prémio dado pela Académie des Sciences sobre a natureza do fogo. Madame du Châtelet coloca tanto calor ao escrever seu estudo que, não raro, precisava se acalmar e mergulhar os longos braços em água fria. Ali, em Cirey, Voltaire escreveu os Éléments de la Philosophie de Newton e inúmeras outras obras. Matemáticos como Claurault e Maupertuis visitam os dois confrades. Admiram o ambiente simples e elegante do lugar, porém, a vida ali girava em torno do trabalho, das leituras, dos estudos e da ciência, capitaneados por Voltaire e pela não menos interessante e notável Madame du Châtelet.
Nota: Madame du Châtelet e Château de Cirey, litografia da época.
Muito boa lembrança. Aliás, Madame de Châtelet é autora de "Discours sur le bonheur", um dos mais importantes ensaios escritos no século XVIII sobre a felicidade , segundo Robert Mauzi. Vale a pena ler, há uma tradução da Martins Fontes, não lembro o nome do tradutor.
ResponderExcluirabraços
ana
Bem, também foi ela quem inspirou Voltaire a escrever o Essai sur les moeurs.
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